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ASSOCIAÇÃO
DOS ARQUITETOS, ENGENHEIROS E TÉCNICOS DE COTIA
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E o Planejamento Urbano?
Oito meses após a realização do I Seminário Temático AETEC - Plano Diretor de Cotia, a cidade continua sofrendo com a inexistência de uma política específica para o desenvolvimento urbano.
Em
2003, quando a AETEC idealizou o I Seminário Temático enfocando
o Plano Diretor de Cotia, muitos arquitetos, engenheiros e técnicos
que atuam na cidade animaram-se com a possibilidade de assistir e participar
da elaboração de uma nova lei de diretrizes para o uso e ocupação
do solo.
Oito meses depois do evento, que teve como ponto alto uma declaração
do prefeito Quinzinho Pedroso enfatizando seu interesse em criar uma Secretaria
de Planejamento Urbano, pouco se avançou em relação ao
tema. O Plano Diretor ainda é uma reivindicação não-atendida
e o planejamento urbano continua ocupando um lugar de pouco destaque na administração
municipal.
A grande verdade é que Planejamento Urbano deveria ser,
mas não é a prioridade dos governantes. E é até
fácil entendermos porquê. Antes de pensar no futuro da cidade,
o governo tem que resolver o presente. E infelizmente, na maioria das vezes,
o dia de hoje representa alunos que precisam estudar, pessoas que querem circular
pela cidade com segurança e doentes que esperam contar com assistência
médica adequada. E daí, valorizando-se a educação,
a segurança e a saúde, o planejamento urbano fica lá,
num canto, à espera do momento oportuno (que muitas vezes, nunca chega).
Mas, o que debatemos é: até que ponto nossa cidade
não está sendo prejudicada por essa postura?
No primeiro trimestre deste ano, a AETEC assistiu preocupada a
uma série de reações do poder público a solicitações
populares. O zoneamento de algumas áreas, como do Parque Cemucam, Vila
Santo Antônio, Chácaras Viana e Chácaras do Refúgio
foram alterados, sem que a comunidade fosse consultada.
A Associação dos Arquitetos, Engenheiros e Técnicos
de Cotia não repudia o resultado provocado pela alteração,
já que atende a necessidades específicas de um grupo de pessoas
que vive ou utiliza aqueles espaços (especialmente no caso do CEMUCAM,
a medida do prefeito Quinzinho Pedroso merece total apoio da AETEC, por constituir
uma ação emergencial para assegurar a proteção
da área).
O questionamento que levantamos é: cadê o planejamento
urbano? Afinal, até quando assistiremos a alterações
aleatórias no zoneamento, que apenas contribuem para deixar nossa lei
de uso e ocupação do solo uma verdadeira colcha de retalhos?
Que o Plano Diretor de Cotia está ultrapassado, todos sabemos.
Mas, quando ele começará a ser revisado?
A AETEC, entidade que congrega os profissionais de arquitetura,
urbanismo e engenharia, tem o dever de defender a criação de
instrumentos que possam nortear os passos dos governantes em relação
ao uso dos espaços urbanos. O Plano Diretor não pode ser mais
uma reivindicação. Ele tem que estar na lista das prioridades
do governo municipal.
A cidade de Cotia já sofreu muito com alterações
na legislação que defendem interesses pontuais, nem sempre benéficas
para o município porque deixam de levar em consideração
o impacto relativo ao trânsito, ao fluxo de pedestres e por concentrar
a população desordenadamente, sem qualquer planejamento ou observância
ao Estatuto das Cidades.
A criação de uma Secretaria de Planejamento Urbano
é o primeiro passo para que Cotia cresça adequadamente. A segunda
e mais importante etapa é vermos o início das discussões
com a comunidade para a elaboração do Plano Diretor. Não
são simples reivindicações. São elementos fundamentais
para o dia-a-dia dos arquitetos, engenheiros e técnicos que constroem
a cidade.
Abril
de 2004
AETEC – Associação dos Arquitetos,
Engenheiros e Técnicos de Cotia